02 outubro 2006

Como enxergar o ar sem se molhar

Viver na copa da árvore de raízes-cornucópias penetradas em cadafalso cinza-cristalino a boiar, trepidamente, por sobre o mangue verde-arrouxeado envolto e acariciado pelas ondas do mar lânguido descolorido é como tornar-se novamente ao símio arborícula que inspira sexualmente o solferido do entardecer para alimentar-se, enquanto que centenas de lêmures abaixo angustiados pela navalha, consomem todo algodão que brota e a borracha que sangra da carne da Santa-Lácea, a prostituta escrava por natureza, e os caranguejos se enfiam na lama e todos, sem exceção,estão doentes de desejo.
Para viver na copa da árvore e enxergar o ar, é necessário preferir ouvir o barulho do mar a querer estar lá a fazer bolhas.

2 comentários:

Thiago Quintella disse...

"e todos, sem excessão,estão doentes de desejo."
Aí está a maior questão que devemos trabalhar dentro da gente.

Anônimo disse...

é... quase um texto budista, de certa forma. Interessante, rs. beijocas, Flor.

yara