12 maio 2007

Espectropasmódico

Face à hora da agonia delirante
Cacó-fato claudicante
Murmúrio compulsório
A ladrar nas almas dos que choram
Belicoso berrante
A dar viço e graça ao real-ilusório
E a dor de viver sem viver
O temor pulsa no ser beligerante
Um ser-estar peremptório
Não há luzes no jardim das górgonas
São sombras de um reduto inglório
O assomo desespero latejante
Acre-doce fluxo inconstante
Queixumes, suores e lágrimas
Noite escura
Ofegante

11 comentários:

parabolicando ... e devirando como um rio disse...

bem .. só para esclarecer o tema da poética, diz respeito ao encontro de sombras interiores ...
Como referência a este tema, gosto muito do mito de Perseu, estudado e adotado pelos junguianos ;-) ...
O engraçado é que se eu levantar minha perna, minha sombra continua no chão :-/ ...
comentário idiota :-P

Vida é movimento e a sombra insiste em ir junto ...

Mia disse...

A Yara disse que o texto da Criação da Criatura é republicado? Uai... não me lembro dele... :(
Aliás, estou trabalhando nele e no post anterior (o da Heloísa) - españolamente, claro...
Falando nisso, e essa Justine?? Não havia uma Proustine, Prustine, Prostine em outro texto teu???
Não me lembro de o post da Heloisa e o da Criação da Criatura já terem sido publicados antes...
Acho que a minha bateria deve estar ficando fraca.
B-sos cariñosos!

Hiperbolicando... as usual disse...

Jung, sempre Jung!

A sombra estará lá sempre... o negócio mesmo é entender pq a luminosidade insiste em deixa-lá á mostra.. entende-la e viver bem com ela...
Caso contrário, assim como em alguns filmes, a sombra vira fantasma e tenta te levar pras trevas.. isso sim pode ser perigoso...

Love you

Parabólica afetada disse...

vejo como um processo paulatino isso da sombra continuar a perseguir ainda que surja uma centelha de luz ... sou pelo positivismo de crer que aos poucos ela se esvai ... ai vêem outras .. é um processo intermitente o qual devemos levar na naturalidade, mesmo que cause esse sofrimento todo descrito na poética ..
Como bem disses amiga hiperboliquinha ... entendê-la e viver bem com ela ;-)

Beijos e carinhos...

Hiperbolicando novamente... disse...

Se vamos viver com ela, significa que ela não se esvai... Mas saber que ela deixa de incomodar, de ser sombra pra ser somente algo que pertence à gente.. Já é gratificante, não?

So let´s just Keep Walking... like Johnny Walker...

love!

parabolicando disse...

Interessante questionamento amiga ... Há uma só sombra? e esta seria portanto fragmentada? ela é estática ou mutável? não seria portanto possível algum processo de iluminação interior, visto que onde há sombra a luz não passa?.. bem ...sem recorrer ao google ou às parafernálias didáticas, questinarei também algumas possibilidades que nos dá mundo afora, associando o tema às religiões e seus dogmas .. o taoísmo diz que não, que a natureza humana é Ying e Yang e pronto, não há como fugir disso .. o budismo apregoa a iluminação, e existem junguianos que associam o processo de transposição de Ego-Self, ou individuação, à iluminação budista, o ocidentalismo almeja a felicidade, a elevação espiritual e conscientização...
Pergunto, o homem que carrega suas ou sua sombra apenas se conformando com sua existência, por ser inerente à sua natureza, é um ser completo (um indivíduo)? Ou amplio para além das sombras, um homem que compreende a sua natureza e resigna-se a ela, é um indivíduo, um ser iluminado? ou isso é tudo baboseira?

beijos e carinhos amorosos flor ..

Poeta da Vida disse...

Que sombrio, Danielle!
Bastante expressividade poética!
Abraçao, bom final de semana

Dan disse...

Oi moça quanto tempo
Um beijo de anis

Hiperbólica (mais nem tanto).... disse...

Acho que estou a sofrer dos males de amor...
It hurts!! Specially when it is related to our insecurity...
Do you know any pills for this kind of pain?

Feel lika a baby... :'(

parabólica empática disse...

bem linda, bem sabeis que não sou perita em remédios que curam males da alma. pois minhalma costumo curar com ela própia ...

...e de pensar que toda dor é causada por nós mesmo ... não temos nem a quem culpar ... e nem pílulas para recorrer ..

Vi disse...

Muito bom encontrar algo assim quando se fuxica um blog aqui outro ali.
Encontrei seu link na comunidade "blogs literários", e certamente voltarei para ler mais um pouco.
Abraço!